sábado, 27 de julho de 2013

A espera de um milagre


Introdução

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No  capítulo cinco do evangelho de João, encontramos o relato da cura que Jesus realizou em um homem paralítico, que há 38 anos encontrava-se nesse estado. Aquele homem estava próximo ao tanque de Siloé aguardando um milagre. Aguardando o mover das águas. 

Enquanto ele aguardava, algumas coisas estavam acontecendo. Gostaria de compartilhar com vocês algumas lições que esse relato nos dá sobre a espera da intervenção divina em nossas vidas. 

Sua oportunidade e vez estavam demorando

A demora é angustiante em todos os aspectos, até nas coisas mais simples como na espera de um ônibus, na fila de um banco ou do resultado de um concurso. Torna-se mais terrível ainda quando se trata de algo mais sério como a cura de uma enfermidade, a libertação de um ente querido das drogas, dos vícios, da dureza espiritual, ou um problema pessoal que nos incomoda há anos.

Abraão havia recebido uma promessa já na sua velhice, em um contexto de impossibilidades, pois sua esposa era estéril. Passou-se o 1º ano, e nada; o 2º ano, e nada; o 3º ano, e nada. Sara ficou inquieta e resolveu dar uma mãozinha pra Deus. Abraão concordou e o resultado ainda hoje é uma rivalidade interminável e mortal entre judeus e árabes. Mas a promessa de Deus se cumpriu. Vinte e cinco anos depois, mas se cumpriu!


Aquele homem já estava há 38 anos inválido. Já estava há tanto tempo naquele local, que se acostumou a ver todo tipo de cena: cegos sendo curados, bem como outros paralíticos andarem e saírem eufóricos louvando a Deus. Mas, provavelmente, ele também viu muitos que foram embora sem receber a bênção, porque não tiveram paciência nem fé suficientes e, possivelmente, passaram por ele resmungando e blasfemando. Mas ele não. Ficava ali contemplando as pessoas sendo abençoadas e certamente lá no seu íntimo ele dizia: “A minha hora vai chegar, a minha hora vai chegar! Oh Jeová ouve o meu clamor e tem misericórdia de mim!”

Se Deus prometeu que vai que vai mover as águas na tua vida, espera porque no tempo certo ele moverá. Não façamos arranjos tentando apressar a bênção, ela virá!

Ele mantinha acesa suas esperanças

Jeremias talvez tenha sido o profeta que mais sofreu por servir a Jeová. No capítulo 3 do livro das Lamentações de Jeremias ele diz: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus...”, mas no versículo 21 ele diz: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança!”.

Aquele paralítico mantinha na lembrança as imagens do operar de Deus e não saiu do lugar onde ele sabia que a bênção chegaria.

Deus estava ciente de sua situação

O texto deixa bem claro que Jesus sabia que aquele homem estava naquela situação há muito tempo. Deus nos conhece. Ele não está alheio às situações de nossas vidas. A nossa vida pública e privada, as nossas palavras e os nossos pensamentos, nossas virtudes e fraquezas. Até mesmo de nossas angústias Ele está ciente. Nada está fora de seu controle. Definitivamente, ele não nos abandonou.

Alguns exemplos bíblicos:

— Em Isaias 38.1-6, o profeta é enviado ao Rei Ezequias que se encontrava doente, para lhe dizer que certamente morreria... Ezequias derrama sua alma perante o Senhor e se recupera de sua enfermidade, e ainda lhe foram acrescentados quinze anos de vida!

— A resposta às orações de Daniel:  “[..] Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim." Disse-lhe o Arcanjo Gabriel. (Dn. 10.12).
— Quando Filipe apresentou Natanael a Jesus (Jo. 1.47-48), o Senhor disse: “Eis um israelita em quem não há dolo”. Natanael perguntou a Jesus: “Donde me conheces?” Jesus respondeu “Eu ti vi quando estavas debaixo da figueira”. Isto só foi possível porque Jesus é onisciente e onipresente. Ele nos vê quando estamos na solidão do nosso leito, de joelhos, derramando nossas lágrimas; Ele nos vê quando estamos tristes e angustiados de coração; Ele nos conhece!

A vitória estava chegando e ele nem imaginava

Como já foi dito, quando as águas se moviam outras pessoas recebiam a bênção, mas aquele homem continuava ali, inválido, desprezado e esquecido. Porém, ele não estava esquecido por Deus! O próprio Deus havia depois de 38 anos de silêncio resolvido marcar um encontro com aquele homem. O que estava reservado para ele era muito melhor do que a simples cura de uma enfermidade física. Deus havia reservado para ele a cura do corpo e da alma. Ele passaria a viver uma nova dimensão espiritual em sua existência. Ele teve um encontro com o próprio Jesus. Muita gente nas igrejas está clamando para que o anjo faça isto ou aquilo, quando o próprio Senhor está querendo mover as águas através do mover do seu Espírito.

Não se desespere ao ver os sonhos de Deus se cumprirem na vida de outros. Não se angustie enquanto alguns têm recebido bênçãos materiais e espirituais, e você parece estar vivendo em sequidão de estio; porque, quando você menos esperar, o Filho de Deus vai te perguntar: Queres ser curado! O que queres que eu te faça? O melhor de Deus está reservado para nós. Aleluia.

Quando o mover das águas aconteceu de forma diferente na vida daquele homem, outras coisas também começaram a acontecer.

O inimigo se levantou

Quando o homem foi curado, levantou-se e começou a andar com a esteira debaixo do braço. Houve uma verdadeira transformação na sua vida. Ele havia sido liberto de uma situação constrangedora que o mantinha escravizado à invalidez durante 38 anos. Ele estava feliz, ele estava radiante, sua resposta finalmente chegara.

No meio dessa alegria, se aproximam alguns doutores da Lei Fariseus, hipócritas o repreenderam dizendo: "Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito" (v. 10). Aquele homem não se intimidou diante da ameaça daqueles religiosos, porque o que lhe acontecera era tremendo demais para ele se calar. Então, ele respondeu com ousadia: "O mesmo que me curou me disse: toma o teu leito e anda." (v. 11).

Da mesma forma acontece em nossas vidas. Quando Deus move as águas em nosso favor, o inimigo se levanta e usa até os nossos entes queridos pra nos puxar para baixo de  novo, e os entendidos na lei para nos criticar.

Ora, antes do mover das águas vivia-se uma vida limitada, uma fé limitada, uma alegria limita, tudo era limitado e a cabeça baixa no meio de decepções. Quando as águas de Deus se movem, a situação muda radicalmente. Agora o desejo do crente está na casa do Senhor e nos ciclos de oração; agora ele tem visões ele tem sonhos, ele tem revelações, e, apesar das dificuldades ele é um profeta ou uma profetisa, que anda por cima das dificuldades dizendo “tudo posso naquele que me fortalece”.

Aí o inimigo se levanta e diz ela vai ficar doida, ele vai ficar doido de tanto orar, isto é fanatismo! A Bíblia não ensina nada sobre marchar, sobre pular, o pastor não está respeitando as regras de comportamento no púlpito, agora pula e fala em línguas. Então eu pergunto: qual é o melhor estar pulando, marchando e se alegrando na presença do Senhor por um real mover do Espírito Santo, ou estar se arrastando e se lamentando da vida como um derrotado? Se é o mover do Espírito, deixa pular, deixa marchar, deixa falar em línguas, contanto que Deus não seja detido em seu mover no meio do seu povo!

A resposta daquele homem aos fariseus nos leva à segunda coisa que acontece em nossas vidas depois do mover das águas.

O padrão de conduta daquele homem mudou.

A bíblia diz que algum tempo depois Jesus se encontrou com aquele homem. E onde ele estava? No bar "enchendo a cara"? Em algum outro lugar que pudesse entristecer a Deus? Não! A Bíblia diz que o Senhor se encontrou com ele no templo!

Quando Deus move as águas em nossas vidas, nós passamos a ser conduzidos não pelo que o teólogo A ou B diz, não pelo que o pregador ou pastor X ou Y ensinam, mas aquele que nos curou dirá o que devemos fazer. Deixamos de ser conduzidos pela lei do homem e do pecado para sermos guiados pela lei de Deus!

O apóstolo Paulo escrevendo aos Romanos no capítulo 8.2, diz: “ Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”.

Infelizmente muitas pessoas desistem de esperar o mover de Deus em suas vidas, e outras que o experimentam não continuam buscando, mantendo a chama acesa e terminam esfriando novamente, tornando-se, muitas vezes, pior do que eram. Jesus fez essa advertência aquele homem dizendo: “Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior”. (v. 14).

Considerações finais

Certamente você tem algumas demandas diante de Deus. É possível que sua percepção seja a de que a resposta (o mover das águas) está muito demorada. Eu até concordo que aos nossos olhos algumas respostas realmente são demoradas. Porém, Deus sabe qual é o tempo exato para nos responder. Ele sabe exatamente o que precisamos, e quando podemos receber.

Que a partir das lições desse relato possamos ter esperanças, pois ainda que não percebamos, algo está acontecendo. Deus está se movendo em nosso favor.

No amor de Cristo,

Pr. Daniel  

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