quarta-feira, 17 de julho de 2013

O Jornalista e O Evangelista


UMA BREVE ANALOGIA ENTRE O JORNALISTA E O EVANGELISTA 


 INTRODUÇÃO

Gostaria de começar nossa participação nesta noite fazendo uma pergunta: Jornalista e Evangelista, além da rima, o que temos mais em comum? Senhoras, senhores e senhoritas, nesta noite, em que vocês oferecem um momento de gratidão a Deus, por mais essa vitória alcançada em suas vidas, permitam tomar como base para nossa reflexão algumas idéias contidas nos evangelhos para apoiar a nossa tese de que existem semelhanças entre o trabalho do evangelista e do jornalista.

I – AMBOS POSSUEM UMA DAS FERRAMENTAS MAIS PODEROSAS DE TRABALHO


Profissionais dos mais diversos campos de atuação lançam mão de uma gama de ferramentas para exercerem sua profissão, mas de todas as ferramentas que tenho conhecimento, a mais poderosa é aquela capaz de transformar vidas e nações, de trazer esperança ou desespero, vida ou morte, de fazer guerra ou celebrar a paz, essa ferramenta se chama a palavra, seja ela escrita ou falada. Aqui, portanto, já podemos apresentar o primeiro ponto de convergência entre as atividades do jornalista e do evangelista, ou seja, ambos fazem uso por excelência do poder da palavra. Portanto, nós jornalistas e evangelistas temos em nossas mãos uma ferramenta poderosa, e, sobre nossos ombros, o peso da responsabilidade de usá-la com sabedoria!

II – AMBOS TÊM A MISSÃO DE TRANSMITIR MENSAGENS  

 

2.1. Ao evangelista Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a todas as criaturas, aquele crê e for batizado, será salvo. Aquele que não crê será condenado”. Marcos 16.15-16. Esta mensagem do evangelista chama-se EVANGELHO, que significa boas novas. E em que consistiam essas boas novas? Consistia em que: Jesus morrera, mas havia ressuscitado por intervenção divina, e que somente através do arrependimento e aceitação do seu sacrifício ali na cruz do calvário, o ser humano pode ter seus pecados perdoados e ser reconciliado com Deus.

Porém, pela leitura do texto em questão, percebemos que essa mesma mensagem de boas novas também traz uma mensagem não tão boa assim, ou seja, uma mensagem de condenação para aqueles que não cressem nos fatos narrados pelos apóstolos e discípulos.

2.1. O jornalista não tem apenas uma mensagem. A Bíblia traz a palavra “jornalista” se referindo a trabalhadores que ganhavam seu salário de acordo com os dias trabalhados, e também está ligada à palavra jornada, que contém a idéia de período de tempo. Dessa breve explicação, podemos concluir que jornalista, no sentido que usado para se denominar a profissão de vocês, é o profissional que se encarrega de transmitir mensagens acerca dos fatos ocorridos no dia a dia das pessoas. Assim como a mensagem do evangelho, as mensagens do jornalista estão também carregadas tanto do aspecto de boas notícias, quanto de más notícias. Ele terá que lidar com muito tato quando tiver que dar más notícias, e com satisfação ao dar as boas notícias.

III – AMBOS TÊM O DIREITO DE TRANSMITIR SUA VERSÃO DOS FATOS

 

3.1. Pessoas em situações diferentes, produzirão diferentes versões para o mesmo fato. Leonardo Boff, um dos mais conceituados pensadores e teólogos católicos da atualidade, em seu livro A águia e a galinha, disse que: “Todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Para ilustrar essas idéias que acabei de apresentar, gostaria de explicar porque a bíblia traz quatro versões da vida de Jesus, ou seja, O evangelho segundo São Mateus, segundo São Marcos, segundo Lucas e, segundo São João.

2.1.1. O evangelho segundo São Mateus, foi originariamente escrito em hebraico, e está repleto de referências a profecias do Velho Testamento que anunciavam a vinda do Messias. Neste evangelho percebe-se claramente a ênfase dada à ascendência de Jesus, ou seja, que ele era descendente de Davi e pertencente à tribo de Judá, pois existe uma profecia que diz que o Messias viria da descendência de Davi e da tribo de Judá, isto significa que Jesus estava sendo apresentado como rei de Israel.

Esta versão que Mateus apresenta da vida de Jesus é o resultado de sua posição como judeu seguidor de Jesus, que queria provar para os judeus que Jesus era o Messias que eles esperavam há séculos.

2.1.2. O evangelho segundo São Marcos, apesar de vir em segundo lugar na ordem em que se encontra na Bíblia, foi o primeiro a ser escrito, de acordo com registros históricos, e serviu de base para Mateus e Lucas escreverem suas versões. O que caracteriza este evangelho é sua brevidade, o uso de termos próprios do exército como centurião romano, soldado, etc. Neste evangelho Jesus é apresentado como o guerreiro forte que veio destruir as obras do diabo e resgatar as almas de seu poder.

Como romano que era, Marcos apresentou essa versão para alcançar os leitores romanos, afeitos a esse ambiente belicoso.

2.1.3. O evangelho segundo São Lucas foi escrito usando-se um grego muito mais elaborado do que os demais, além do mais foi escrito por alguém que não tinha sido discípulo de Jesus e era grego. O evangelho segundo são Lucas foi o resultado de uma pesquisa cuidadosamente levada a efeito, nele encontramos muitos termos da medicina da época, pois Lucas era um médico. Aproximando-se mais da forma de pensar e da língua de seu povo, Lucas visava alcançar o povo grego com sua versão da vida de Jesus. Neste evangelho Jesus é apresentado como o médico dos médicos, aquele que é capaz de curar uma das piores feridas - a ferida espiritual chamada pecado.

2.1.4. Finalmente, temos a quarta versão da vida e obra de Jesus, o evangelho segundo São João. Este evangelho foi escrito aproximadamente 50 anos depois da morte e ressurreição de Jesus, e possui características bem diferentes dos demais. João começa resgatando um conceito grego de criação do mundo, chamado Logos. João apresenta Jesus como sendo ele próprio o Logos, ou seja, o princípio de todas as coisas. Neste evangelho Jesus é apresentado de forma mais contundente como sendo Deus.

Esta versão de João visava uma igreja já estabelecida, formada por milhares de seguidores do Nazareno. Visava combater ensinamentos que eram contraditórios com os ensinamentos de Jesus e dos Apóstolos, um deles era que Jesus não é Deus. 

2.2. Neste auditório temos dezenas de pessoas diferentes, que se tivessem que dar sua versão de algum fato, imprimiria nessa versão seus pontos de vista, por mais que se persiga a imparcialidade, sempre nossas versões trazem nossa cara.

IV – AMBOS TÊM A OBRIGAÇÃO DE SEREM FIEIS À VERDADE  

 

Senhores, senhoras e senhoritas, apesar de os evangelistas terem apresentado suas próprias versões dos fatos da vida de Jesus, eles foram harmônicos entre si, quero dizer que os fatos não foram distorcidos. Apesar de pontos de vistas diferentes, o mesmo Jesus que é encontrado em Mateus, é encontrado em Marcos, Lucas e João. A essência da mensagem não foi distorcida, todos apresentaram Jesus como Salvador, Senhor, único caminho e única esperança.

Permitam-me tomar a liberdade de dizer que todos vocês têm o direito sagrada de expressarem seus pontos de vista sobre o mesmo fato, porém, não têm o direito de distorce-los de forma alguma.

É uma vergonha que hoje testemunhemos pessoas que se dizem pregadoras do evangelho, apresentarem uma mensagem completamente distorcida, alguns por incompetência, ignorância do que ensina a bíblia, outros, porém, conscientes fazendo do evangelho um meio de ganhar dinheiro às custas da boa fé das pessoas.

É uma vergonha igualmente quando testemunhamos profissionais de jornalismo distorcendo os fatos em favorecimento de interesses pessoais e de terceiros.

V – AMBOS PODEM SER PERSEGUIDOS POR DEFENDEREM SEU PONTO DE VISTA

 

- No livro dos atos dos apóstolos temos o registro de muitas prisões e mortes de discípulos de Jesus. (Atos. 4.17-22).

- Durante muito tempo nosso país calou, através da lei, a boca de muitos profissionais que queriam tão somente esclarecer a verdade ao povo, e, quando a lei não conseguia calar os mais ousados, eles pagaram com suas próprias vidas.

VI – AMBOS TÊM NECESSIDADES SEMELHANTES

 

6.1.    CONVICÇÃO
6.2.    PAIXÃO
6.3.    OUSADIA
6.4.    ESPERANÇA


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