O povo de Israel conquistou muitas
vitórias sob o comando de Josué, e começou o processo de tomada de posse da
terra prometida. Josué, porém, morreu, e o povo ficou sem referencial de
liderança governamental e espiritual. Josué não seguira o exemplo de Moisés de
preparar um substituto. Por essa razão, de tempos em tempos, Deus levantava
homens e os enchia com seu Espírito para julgarem sobre o povo, liderando-os
nas diversas batalhas travadas contra os inimigos, em especial contra os
Filisteus.
Porém, essas intervenções aconteciam de forma sazonal, para sanar crises ocasionais. Não havia um
líder fixo que conduzisse o povo de uma forma constante e que os organizasse
como nação. Por essa razão, de um modo geral, o povo estava desgarrado
administrativa e espiritualmente, pois os próprios líderes espirituais, os
sacerdotes e levitas, haviam perdido a profunda noção de sua missão entre o
povo. No livro dos Juízes 21.25 essa situação é descrita da seguinte forma: “Naqueles dias, não havia rei em Israel;
cada um fazia o que achava mais reto.”
Porém, Deus estava preparando um
grande líder. Esse homem julgaria Israel administrativamente, mas também seria
um grande líder religioso, e seria considerado o último dos juízes de Israel. Seu nome era Samuel. O poder de Deus sobre sua vida já
começou a operar desde sua concepção, pois ele foi resposta às orações de Ana, uma mulher angustiada, que não podia conceber um filho
por ser estéril.
Samuel entrou em cena em uma das
piores fases da história de Israel. Ele iria assumir a liderança de um povo
que estava totalmente distanciado de Deus e, por essa razão, subjugado pelo inimigo.
Eles foram derrotados na guerra e a arca, símbolo da presença de Deus no meio
do seu povo, havia sido levada pelos filisteus. O sacerdote Eli morreu ao
receber a notícia sobre a arca do Senhor, e sobre a morte de seus dois filhos. A nora de
Eli, ao tomar conhecimento desses fatos, entrou em trabalho de parto, e o filho
a que ela deu à luz chamou de Icabô, que significa “Sem glória”. Ou seja,
foi-se a glória de Deus do meio do povo de Israel.
Porém, Deus pesou a mão sobre os
filisteus de forma sobrenatural, forçando-os a devolver a Arca. Apesar do
retorno da Arca, somente 20 anos depois, e na iminência de serem totalmente
subjugados pelos filisteus, o povo de Deus reconheceu que estava em dívida com Deus, e
procuraram Samuel, e pediram que o profeta intercedesse por eles.
Eles enfrentam os filisteus e os
derrotaram. Diante dessa grande vitória, Samuel levanta uma pedra como memorial
da fidelidade de Deus, dá-lhe o nome de Ebenézer, que significa “Pedra de
ajuda”, e profere uma das frases mais conhecidas no meio do povo de Deus em
todos os tempos: “Até aqui nos ajudou o Senhor”.
A partir desse contexto e dessa
frase de Samuel, gostaria de refletir sobre três características da ajuda divina que revelam a grandeza de sua fidelidade:
I A grandeza da fidelidade de Deus é revelada na constância de sua ajuda
Apesar da infidelidade de Israel, Deus estava, em todo tempo, cuidando
do seu povo. Mesmo quando eles estavam subjugados sob o poder de seus inimigos,
Deus não deixou de estar presente dando-lhes o apoio e o livramento necessários.
Quando eles estavam subjugados
pelo império babilônico, Deus estava ali presente sobrenaturalmente através da
vida de Daniel e de seus companheiros. Ele sempre reservou um remanescente fiel. Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
Quando eles estavam
escravizados no Egito, Deus os tornou fecundos e eles se multiplicaram grandemente, e cumprindo sua promessa feita a Abraão, levantou Moisés para libertá-los. Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
Quando eles estavam fugindo de
Faraó, e não tinham para onde escapar, pois o grande Mar Vermelho estava à sua
frente, Deus abriu o mar. Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
Quando Josué estava perplexo
com a pesada responsabilidade de dar continuidade à obra que Deus começou com
Moisés, Deus lhe assegura: “Ninguém poderá te resistir todos os dias da tua
vida; como fui com Moisés, serei contigo!” (Js. 1.5). Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
O salmo 23, conhecido,
declamado, parafraseado em todo o mundo, é o retrato de um pastor presente,
pronto a ajudar suas ovelhas, a ajudar todos os que estiverem debaixo de sua proteção. Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
Deus declara através do profeta
Isaías "Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti." (Isaías 49:15 ). Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
Quando os discípulos estavam na
iminência de perder seu Mestre, pois a obra redentora havia sido concluída, e
Jesus estava prestes a ser arrebatado aos céus, Ele declara: “Estarei convosco
todos os dias, até a consumação dos séculos.” Isto
é ajuda constante! Isto é fidelidade!
Teríamos uma infinidade de
exemplos para provar a grandeza da fidelidade de Deus revelada na constância de sua ajuda, mas gostaria de concluir esse primeiro tópico ilustrando-o com o poema de Mary Stevenson, escrito em 1936: "Pegadas na areia". A autora escreve:
Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor,
e no céu passavam cenas de minha vida.
Para cada cena que passava,
percebi que eram deixados dois pares
de pegadas na areia:
um era meu e o outro do Senhor.
![]() |
| créditos |
passou diante de nós, olhei para trás,
para as pegadas na areia,
e notei que muitas vezes,
no caminho da minha vida,
havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isso aconteceu
nos momentos mais difíceis
e angustiantes da minha vida.
Isso aborreceu-me deveras
e perguntei então ao meu Senhor:
- Senhor, tu não me disseste que,
tendo eu resolvido te seguir,
tu andarias sempre comigo,
em todo o caminho?
Contudo, notei que durante
as maiores tribulações do meu viver,
havia apenas um par de pegadas na areia.
![]() |
| créditos (imagem meramente ilustrativa) |
Não compreendo por que nas horas
em que eu mais necessitava de ti,
tu me deixaste sozinho.
O Senhor me respondeu:
- Meu querido filho.
Jamais te deixaria nas horas
de prova e de sofrimento.
Quando viste na areia,
apenas um par de pegadas,
eram as minhas.
Foi exatamente aí,
que te carreguei nos braços.
II A grandeza da fidelidade de Deus é revelada quando ele nos ajuda mesmo sem merecermos
Israel por diversas vezes
decepcionou Deus. Fugiu aos seus propósitos, dobrou-se diante de deuses
estranhos, cometeu grandes pecados contra o Senhor. Foi ingrato em todos os
sentidos. Mesmo assim Deus não deixou de ajudar.
A infidelidade de Israel é claramente descrita em Ezequiel 20:28, quando diz: "Porque, havendo-os eu introduzido na terra sobre a qual eu levantara a minha mão,
para lha dar, então olharam para todo o outeiro alto, e para toda a
árvore frondosa, e ofereceram ali os seus sacrifícios e apresentaram ali
a provocação das suas ofertas; puseram ali os seus cheiros suaves, e
ali derramaram as suas libações."
Mesmo sem merecermos, Isaías declara: "Eis que a mão do Senhor não está encolhida para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir." (Isaías 59.1)
O apóstolo Paulo escrevendo a
Timóteo observa que Deus permanece fiel, mesmo quando nós somos infiéis, pois Deus
“de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo.” (2Tm. 2.13). Se somos infiéis, não
merecemos que Ele nos seja fiel, mas, segundo sua Palavra, mesmo assim Ele será
fiel.
III A grandeza da fidelidade de Deus é revelada quando atende ao nosso clamor
A intervenção de Deus
nesse incidente envolvendo Israel e os Filisteus foi claramente sobrenatural. A
Bíblia registra que Ele trovejou, de tal forma que os filisteus ficaram
atordoados e foram derrotados por Israel.
Porém, algumas coisas antecederam
essa intervenção sobrenatural de Deus:
1 Houve uma mudança na postura do povo em relação a Deus:
1 Houve uma mudança na postura do povo em relação a Deus:
— voltou-se
para Deus de todo o coração – v. 3
— obedeceu a
determinação de Samuel de lançar fora todos os ídolos – v. 4
— derramou
água perante o Senhor, que era um símbolo de arrependimento – v. 6
— Jejuou e
confessou seu pecado diante de Deus – v. 6
2 Houve um clamor por parte de Samuel - v. 9
3 Houve o oferecimento de um sacrifício - v.9
A ajuda veio depois de arrependimento e oração constante “Não cesses de orar por nós ...” 1Sm 7.8. Em resposta, Deus interviu sobrenaturalmente: Livramento e Provisão no deserto.
Conclusão
Depois dessa demonstração da
fidelidade de Deus, gostaria de finalizar fazendo algumas observações sobre
dois grandes simbolismos usados nesse texto. 1) O sacrifício do cordeiro; e, 2)
A pedra chamada Ebenézer.
O primeiro símbolo aponta para
Jesus. Ele foi o Cordeiro de Deus, sacrificado por todos nós. É a Ele que
devemos recorrer em todo tempo, inclusive quando estivermos enfrentando alguma
crise, como foi o caso de Samuel.
O segundo símbolo, a pedra
Ebenézer, aponta para o fato de que devemos sempre manter em nossa memória os
grandes feitos do Senhor.
É interessante que essa pedra foi erguida entre as cidades de Mispa e de Sem. A palavra Mispa significa “Torre de Vigília”, e era a cidade escolhida pelo povo de Deus como local de convocação para buscá-lo nos momentos críticos; local onde recorriam para jejuar e pedir perdão. E que pode simbolizar para nós, o local para onde nos dirigimos para buscar a presença de Deus.
E, assim como aquela pedra relembrava a fidelidade de Deus sempre que o povo se dirigia a Mispa, assim seja conosco também! Porque é grande é sua fidelidade!
No amor de Cristo,
Pr. Daniel
É interessante que essa pedra foi erguida entre as cidades de Mispa e de Sem. A palavra Mispa significa “Torre de Vigília”, e era a cidade escolhida pelo povo de Deus como local de convocação para buscá-lo nos momentos críticos; local onde recorriam para jejuar e pedir perdão. E que pode simbolizar para nós, o local para onde nos dirigimos para buscar a presença de Deus.
E, assim como aquela pedra relembrava a fidelidade de Deus sempre que o povo se dirigia a Mispa, assim seja conosco também! Porque é grande é sua fidelidade!
No amor de Cristo,
Pr. Daniel


Quando paramos para analisar a grandeza de Deus, não temos dimensão do amor e do sacrifício que foi dado por nós. Com isso o questionamento. Por que sofrer em meios as aflições? O Senhor já foi o sacrifício vivo, hoje não se faz necessário nem um sacrifício.
ResponderExcluirPrecisamos entender que Deus é a nossa fortaleza, e não por ela em nossas mentes, pois o que nos paralisa em meios as dificuldades é a fortaleza entre nossa mente e Deus. PRECISAMOS DERRUBAR AS FORTALEZAS DA NOSSA MENTE.
Realmente. Temos a tendência a nos angustiar e a nos assustar com situações isoladas, e, dessa forma, perdemos a noção do cenário maior da operação de Deus em nossas vidas. É exatamente pensando na obra da redenção e no cuidado cotidiano de Deus em nossas vidas que percebemos sua grandeza. É alimentando nossa mente com sua Palavra, e suas promessas que conseguimos ser bem sucedidos em derrubar essas fortalezas. Deus continue te abençoando com essa percepção Sheila.
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