"E Jesus lhes disse: vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus". (Mateus 16.6)
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Hoje em dia, talvez mais do que em todos os tempos, o verdadeiro Cristianismo tem sido desfigurado e ameaçado por ensinamentos errôneos, a maioria surgidos dentro do próprio meio cristão evangélico. Esse pequeno trecho de Mateus nos traz uma advertência feita por Jesus Cristo a seus discípulos, e como ela é tão atual! Por esta razão, gostaria de compartilhar uma breve reflexão sobre o assunto.
É interessante que Jesus, pela segunda vez, utiliza o fermento e sua ação como uma metáfora. No contexto dessa citação, os discípulos endentem que claramente que o fermento significa doutrina (Mateus 16.12). Dessa forma, pode ser uma metáfora para o ensino ou doutrina que tenham tanto efeitos benéficos quanto maléficos.
A primeira vez que o Senhor utilizou essa metáfora, referia-se ao "reino dos céus", ou seja à doutrina do evangelho que, à semelhança do fermento, vai produzindo um processo de transformação das mentes, refletindo nos costumes, ações e convicções. Este é o aspecto positivo.
Aqui, o Senhor utiliza a expressão se referindo à doutrina dos fariseus e dos saduceus como algo negativo. Os fariseus, dentre seus ensinamentos, criam na ressurreição dos mortos e assim o ensinavam. Porém, eram extremamente legalistas, a ponto de colocar uma carga pesada de preceitos e regras humanas de comportamento e práticas religiosas sobre os ombros dos devotos. Já os saduceus negavam qualquer possibilidade de ressurreição dos mortos. Portanto, tanto um quanto o outro eram vistos por Jesus como danosos. Por essa razão, ele alertava seus discípulos para "acautelar-se" quanto a esses ensinamentos.
Vale salientar que, ao longo da história da igreja cristã, surgiram muitas doutrinas conflitantes com os ensinamentos de Cristo e dos apóstolos. Por essa razão, esses mesmos apóstolos, visando à preservação da sã doutrina e guiados, conduzidos e inspirados pelo Espírito Santo escreveram os evangelhos e as cartas, que hoje compõem o Novo Testamento.
João, por exemplo, em seu evangelho e suas cartas, tem como ideias centrais e norteadoras a divindade e humanidade de Cristo, dando ênfase à comprovação de sua divindade, visto que era justamente esse aspecto de sua personalidade que estava sendo atacado e negado no seio da igreja, já nos primeiros anos de sua existência.
Hoje, esse ataque continua, tendo como exemplo categórico desse fermento farisaico, os ensinamentos das autodenominadas "Testemunhas de Jeová", que dentre os muitos ensinamentos heréticos, negam peremptoriamente a divindade de Cristo e a existência do Espírito Santo. Assim também o movimento judaizante atual, que prega o "retorno às nossas raízes judaicas", e advogam esses mesmos ensinamentos, atacando também a idoneidade do apóstolo Paulo e seus escritos.
No meio evangélico está em voga a chamada "Teologia da Prosperidade", que já vem há décadas fermentando a massa de evangélicos com falsos ensinamentos. Apesar de mais sutil do que essas que mencionei, e de ter aparência de respaldo bíblico, também é igualmente danosa, pois descaracteriza a pregação do evangelho da cruz, do Cristo que foi crucificado, mas que ressuscitou para a nossa redenção.
Esse ensinamento torna o evangelho um discurso capitalista e materialista, distanciando os adeptos da verdadeira adoração. Assim, dentre tantos outros aspectos, ensina-se que a prosperidade material é sinal de bênção divina e que o cristão deve, necessariamente ser próspero materialmente falando, pois se não o for, há algo errado. Ensina que o cristão tem que estar sempre saudável, pois a enfermidade é sinal de pecado. Há, portanto, uma ênfase em curas e prosperidade, em detrimento da pregação do arrependimento, conversão e santificação, etc e etc. "Fermento" que seriam necessários livros para denunciá-lo e já existem bons trabalhos nesse sentido no mercado evangélico.
O remédio, no entanto, contra esse "fermento" danoso é muito simples e prático: aprofundar-se no conhecimento das escrituras e das doutrinas clássicas reformadas do Cristianismo. O conhecimento das Escrituras, sobretudo do Novo Testamento é vital, pois muitos desses ensinamentos são tão espúrios que um simples contraste com a verdade bíblica escrita é o suficiente para desmascará-los. Deve-se também recorrer aos ensinamentos dos reformadores, dos grandes homens de Deus que, ao longo da história da igreja, arriscaram e até perderam suas vidas para ensinar e preservar a sã doutrina.
Que o Senhor, pois, nos dê discernimento para estarmos sempre acautelados contra o fermento dos atuas fariseus e saduceus da vida. Amém.

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