"Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição?" (Mateus 15.3)
Quando se fala de tradição, logo vem à mente costumes que começaram em algum momento do passado e foi transmitido através das gerações subsequentes.O mais preocupante é que os herdeiros dessas tradições as seguem fielmente, sem nem ao menos questionar suas origens e se, de alguma forma elas ferem algum princípio ou princípios estabelecidos por Deus através de sua Palavra. Nesse sentido, o apóstolo Paulo fala da "vã maneira de viver" que seus ouvintes haviam herdado de seus pais, mas que, claramente se chocavam com princípios divinos.
Quando os fariseus e escribas, exímios observadores das tradições judaicas estabelecidas pelos anciãos, buscam achar algo para acusar a Jesus e a seus discípulos, eles colocam em uma posição de grande importância a observância da "tradição dos anciãos", e, neste caso específico, o ritual de "lavar as mãos", que não é encontrado em nenhuma parte da Lei Mosaica dada por Deus. Ou seja, era uma invenção da religiosidade tradicional, que supostamente traria purificação para os praticantes. Fora o aspecto positivo da higiene, esse ritual não tinha valor espiritual nenhum.
A resposta de Jesus aponta para o primeiro perigo da observância de tradições humanas: invalidar a Palavra de Deus.
Jesus os pega em sua própria hipocrisia e cegueira espiritual, pois justamente por observar outro preceito da tradição dos anciãos, eles desobedeciam um mandamento divino, que era o de "honrar a teu pai e a tua mãe", que faz parte dos "Dez Mandamentos" (v. Êxodo 20.12).
Jesus os acusa de "invalidar a Palavra de Deus, por causa da vossa tradição" (v. 6) chama-os hipócritas, e cita uma referência às palavras de Deus através do profeta Isaías, que disse: "Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens." (Isaías 29.13).
Sem querer ofender, mas apenas constatando um fato, um grande exemplo dessa tradição que fere preceitos divinos, sãos algumas práticas religiosas da Igreja Católica, consolidadas ao longo de séculos de ensinamentos conflitantes com a Palavra de Deus. Por exemplo, o elenco de santos canonizados e que recebem adoração e a quem são dirigidas orações em busca de respostas para "n" situações, é enorme. Alguns, orgulhosamente, se intitulam devotos do santo tal e tal. Se ajoelham diante de suas imagens, se emocionam e choram. Mas, apesar da aparência de piedade, essa tradição choca-se com o mandamento divino "Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto [...]". (Êxodo 20.4 - 5).
O segundo perigo da tradição, sobretudo a religiosa, é que priva seus praticantes, sobretudo os mais fervorosos, de enxergar verdades espirituais bem claras. Aqueles escribas e fariseus eram a personificação da religiosidade tradicional judaica, mas foram incapazes de reconhecer em Jesus o Messias que eles próprios tanto esperavam. As evidências de que Jesus era o Filho de Deus eram incontestáveis: milagres e curas jamais vistos estavam sendo realizados por ele, mas aqueles religiosos estavam tão cegos pela tradição, que só conseguiam enxergar "picuinhas", como o rito de lavagem das mãos, que os estavam privando de desfrutar das manifestações do "reino dos céus".
Não é só a igreja católica que possui tradições que privam seus praticantes de vivenciar a revelação divina em plenitude. Muitas denominações evangélicas, ao longo de sua existência desenvolveram tradições com base em "doutrinas que são preceitos de homens" e que travam qualquer relacionamento mais profundo com Deus, sem falar no aspecto de ofensa a preceitos divinos.
Infelizmente, diante da exortação de Jesus, os fariseus, ao invés de reconhecerem seu erro, se escandalizaram. Porém, a resposta de Jesus aos seus discípulos, que vieram contar-lhe a reação daqueles religiosos, foi: "Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco." (v. 14).
Esse discurso é duro, mas é verdadeiro. Quem observar cegamente tradições e preceitos estabelecidos por homens, em detrimento da palavra de Deus, terá como destino final um barranco ou precipício.
Por fim, o terceiro grande perigo da tradição ou tradições, é que tem a aparência de piedade religiosa, mas causa um estrago espiritual enorme, visto que afastam seus praticantes de Deus e da verdadeira adoração.
Que o Senhor abra nossos olhos espirituais para sabermos diferenciar o que são preceitos bíblicos e o que são preceitos puramente humanos e, principalmente, aqueles que ferem princípios divinos-cristãos.
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