quarta-feira, 12 de julho de 2017

A purificação do Templo

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"Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores." (Mateus 21.12 - 13)


O templo era o referencial da espiritualidade e religiosidade do povo judeu. Era um local oficial de adoração ao seu Deus Jeová. Porém, a forma como esse lugar era tratado e a importância que lhe era dada pelo povo, em diferentes momentos de sua história, também era um referencial para diagnosticar em que nível estava essa espiritualidade.

Um exemplo clássico desse fenômeno pode ser encontrado no livro do profeta Ageu, quando Deus através de seu servo dirige-se ao povo dizendo: "acaso é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas? (Ageu 1.4). O que me chama a atenção nesse texto é a expressão "em ruínas"! O templo estava em ruínas! Ou seja, não estava sendo frequentado há muito tempo; significando que a vida de adoração daquele povo também estava em ruínas. Não se ouvia mais a exclamação de Davi "Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor"! Por essa razão estavam dando prioridade às suas próprias casas, ou seja, à sua vida e prosperidade material. 

No texto em que baseio esta reflexão, Jesus fica indignado com a forma irreverente e desrespeitosa com que o templo estava sendo tratado. Aquele lugar construído e separado para ser uma "casa de oração" havia sido transformado em um "covil de salteadores", ou seja, de ladrões! Estavam explorando a fé do povo na venda de animais para sacrifícios e no câmbio de moedas (certamente tudo isso com preços altamente abusivos); o templo e a religiosidade transformou-se em uma fonte de renda para muitos aproveitadores. A coisa estava tão naturalizada, que nem os ardorosos fariseus, nem os sacerdotes tomavam nenhuma medida para parar com aquele comércio ilícito na casa do Senhor! Imagino que eles próprios também estavam lucrando com aquela situação.

É revoltante e de partir o coração quando, em nossos dias, algo semelhante tem acontecido. Teologicamente falando, nossos templos hoje não têm o mesmo status e nem a mesma função do Templo de Jerusalém. Não são lugares considerados "santos" como o era o Templo em Jerusalém. Porém, deve-se considerar o fato de que são lugares físicos construídos e separados para ser "casas de oração" e de adoração ao Senhor. No entanto, é triste perceber como a religiosidade e a boa fé do povo tem sido exploradas em muitos desses lugares, denominados igrejas evangélicas. O discurso da "teologia da prosperidade" (que mais poderia ser denominada de "teologia da perversidade") tem se estabelecido há décadas, chegando a muitas igrejas tradicionalmente e genuinamente consideradas evangélicas.

O comércio da Palavra, da música "sacra", dos milagres, das bênçãos sem número, está oficializado em nosso meio, para nossa tristeza e vergonha. Há cantores, pregadores e pastores milionários às custas do nome de Cristo, de sua Palavra e da boa fé dos crentes.

Mas isto terá um fim! Há quanto tempo o Templo em Jerusalém era profanado e nada se fazia, até que veio Jesus, cheio de zelo ("porque o zelo de tua casa me consome") e fez o que ficou conhecido como "a purificação do templo".!

Infelizmente, assim como o descaso com o templo, pelos israelitas, era um reflexo de sua vida espiritual débil e arruinada, temo que a forma como estão sendo vistas e tratadas nossas "casas de oração" seja um reflexo de vidas espirituais doentias. Lembro que certa vez estava em um culto em que, durante o louvor e a mensagem tinha um jovem se comunicando no whatsapp, revelando total falta de interesse, respeito e temor àquele momento de adoração e de ministração da Palavra.

Há muito o que se falar sobre essa temática, mas para esta reflexão não ficar muito longa, resta-nos concluir orando a Deus para infundir maior temor e tremor em nosso coração e nos tornar mais zelosos das coisas concernentes ao Reino de Deus.

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