sábado, 15 de julho de 2017

O templo no cotidiano de Cristo

"Tendo Jesus saído do templo [...]" (Mateus 24.1)


É interessante que uma das críticas mais recorrentes contra o Cristianismo é que Jesus não fundou nenhuma igreja. É certo que ele não fundou nenhuma denominação tal qual as conhecemos hoje, mas sua igreja ele fundou sim. Certa feita Jesus dirigindo-se a Pedro disse: "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16.18).

Não faz nenhum sentido a interpretação que a teologia católica dá a esse texto, sustentando que Jesus edificaria a igreja sobre Pedro. Além do apóstolo ser um homem falho e mortal, o texto no original grego não permite esse tipo de interpretação. Se assim fosse, a igreja não teria subsistido ao longo dos séculos de sua existência, Jesus referia-se a Ele próprio, a Rocha inabalável. Mas a discussão no momento não é sobre esse aspecto teológico, mas sobre o fato de que Jesus fundou uma Igreja, conforme ele próprio se expressa "a minha igreja".

A acepção do termo "igreja" é decorrente do vocábulo grego "ekklesia", que literalmente significa "chamados para fora", ou seja um grupo de pessoas separado de um outro maior com um propósito determinado. O Senhor Jesus, ao longo dos séculos tem salvo um significativo número de pecadores, tirando-os de sua condição de mortos espirituais, dando-lhes vida e da condição de condenados à de salvos.

Apesar dessa breve explicação, a título de introdução, o objetivo primeiro desta reflexão não é o de debater sobre o fato de Jesus ter fundado sua igreja (não um sistema religioso ou quaisquer denominação), mas o de refletir sobre um fato que nos chama a atenção no texto citado: o templo e a sinagoga eram lugares cotidianamente frequentados por Jesus, com o objetivo de ensinar ao povo e de adorar a Deus, na sua condição de humano e de judeu. Acredito que podemos enxergar esse fato como aprovação da existência de lugares específicos para o aprendizado da palavra, para a oração e para a adoração, que hoje conhecemos como igrejas.

Há um segmento de pessoas no meio evangélico, que se declara crente em Jesus Cristo, mas que decidiu não frequentar nenhuma igreja, por ter o entendimento acima discutido de que Jesus não fundou nenhuma, e são conhecidos como os "desigrejados". Isto é uma atitude equivocada e tola, pois, a igreja do primeiro século, por sentir a necessidade de se reunir em algum lugar específico para a adoração e para o ensino da palavra, paulatinamente passou a construir lugares ou usar outros já construídos, com esse propósito específico.

Jesus é o nosso exemplo máximo de vida cristã e ele era, essencialmente, um homem do templo e das sinagogas, e isto desde criança, como é possível constatar pelo incidente em que ele se "perdeu" de seus pais e foi encontrado no templo conversando com os anciãos, dando um show de conhecimento bíblico e de sabedoria. Essa constatação é reforçada pelas palavras de Jesus durante o incidente em que uma multidão o foi prender no jardim do Getsêmani. Ele os fez lembrar de sua rotina, dizendo: "Saístes com espadas e porretes para prender-me, como a um salteador? Todos os dias, no templo, eu me assentava [convosco] ensinando, e não me prendestes." (Mateus 26.55).

Do exposto, percebemos o quanto o templo, ou o local de oração e de adoração dos judeus, fazia parte marcante do cotidiano do Mestre, devendo fazer parte do nosso também; deve ser nosso referencial de espiritualidade, pois experiência tem demonstrado que os crentes que perdem o desejo de frequentar a igreja não estão bem espiritualmente e, aqueles que, por algum motivo, o deixam de fazer, esfriam na fé. Por fim, é bom lembrar a exortação o autor da carta aos Hebreus para não deixarmos  "[...] a nossa congregação, como é costume de alguns,  antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia." (Hebreus 10.25). Herdamos esse costume sadio da cultura judaica e não há porque mudar essa situação, que é vital para o crescimento da Igreja e fortalecimento da fé e da comunidade cristã.




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