sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A principal causa da instabilidade espiritual

"Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se". (Marcos 4.6).

A primeira parábola contada por Jesus, registrada no evangelho de Marcos, foi a do Semeador, trazendo uma explicação dada pelo próprio Jesus. Na verdade, ele se "admirou" de que os discípulos não tivessem entendido, visto que para ele essa parábola era muito clara e de fácil compreensão. Por essa razão, ele os interpelou dizendo: "Não entendeis esta parábola, e como compreendereis todas as parábolas?" (Mc 4.13). Daí ele passou a explicar que a semente é a Palavra de Deus, deixando implícito que o semeador era ele mesmo e, ao longo da história da Igreja, todos aqueles que se tem empenhado em pregá-la. 

Os tipos de solos em que a semente é lançada são figuras do coração humano. Corações que ouvem sem o menor compromisso de abraçar o evangelho são representados pelo solo ao longo do caminho, ou seja, "de passagem"; dessa forma, a mensagem é substituída rapidamente por outros interesses; o solo rochoso representa os corações duros que, mesmo compreendendo a mensagem, não permitem que a semente germine e crie raízes;  os corações daqueles que estão sufocados pelos cuidados do mundo, são representados pelo terreno espinhoso; e, finalmente, os corações onde a semente cai, germina, cria raízes e produz muito fruto é simbolizado pela boa terra.

Nesta reflexão, no entanto, gostaria de me deter sobre o coração duro, com pouca terra, ou seja, aquele terreno rochoso que não permitiu à semente criar raízes, ou pelo menos raízes vigorosas capazes de manter a vida da planta. 

Ora, todos nós sabemos que o meio pelo qual as plantas extraem a água da terra e os nutrientes necessários para não só mantê-la viva, mas robusta, com vigor e frutífera, são as raízes e, quanto mais profundas melhor, tanto para esse fim quanto para manter sua estabilidade. Essa é uma metáfora muito rica e apropriada para representar a vida espiritual do cristão, e de fácil compreensão.

O primeiro obstáculo para o desenvolvimento dessas raízes é o terreno rochoso, ou seja, o coração duro, que não é o suficientemente quebrantado ao operar de Deus. Um coração duro não permite que a pessoa crie raízes e, sem raízes, não há como a seiva da vida de Cristo permear toda a planta, dando-lhe vida e vida com abundância. Ouve, dia após dia, a verdade sendo ministrada, mas não permite que ela adentre ao seu coração, pois ele está endurecido.

É interessante que essa figura do coração endurecido é recorrente na bíblia, desde os primeiros livros. Aqui vai alguns exemplos: no Salmo 95.8 "Não endureçais o coração, como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto [...]"; em Hebreus 3.8 essa advertência é repetida. Em Ezequiel o Senhor promete: "Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne." (Ez. 11. 19), e assim sucessivamente. O coração endurecido priva o ser humano de conhecer verdades espirituais e de aceitá-las; os discípulos não haviam compreendido o milagre das duas multiplicações de pães  e peixinhos porque "o seu coração estava endurecido" (Mc. 6.52).

O endurecimento do coração humano é produzido por sua natureza carnal, pelo pecado que em si habita. Quanto mais próximo do pecado estivermos, mais distantes de Deus estaremos. Então, a principal causa do endurecimento do coração é o pecado. Não apenas pecados de natureza sexuais, mas qualquer tipo de pecado, como soberba, autoconfiança, incredulidade, dentre outros. 

Conhecedor de como o coração é enganoso, o salmista suplicou: "Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno." (Sl. 139. 23 - 24). 

Que possamos fazer, de forma contrita, a mesma oração, para que tenhamos um coração quebrantado o aberto à verdade divina.

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