sábado, 10 de dezembro de 2016

O Poder da Esperança


Inevitavelmente, nesta vida atravessamos momentos difíceis, às vezes tão difíceis que nos angustiamos da própria existência. O próprio apóstolo Paulo teve momentos assim e confessou: "Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida." (2 Cor. 1.8).

No entanto, o que vai fazer a grande diferença no momento de lidarmos com tudo isso é a nossa perspectiva de futuro. Por essa razão, Paulo segue dizendo: "Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;" (2 Cor. 1.9 grifo nosso).

Paulo conseguia lidar com seus sofrimentos apoiando-se na esperança viva das promessas da Palavra de Deus. O Apóstolo João escreve à Igreja sofredora e perseguida nestes termos:  

E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.
E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.
E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. (Apocalipse 21:1-5)

O texto a seguir é uma tradução que fiz, com pequenas adaptações, das páginas 313 a 315 do livro Walking with God through pain & suffering[1] de autoria de Timothy Keller. Esse texto fala sobre o papel da esperança para superarmos os sofrimentos desta vida.

O autor parte do trecho transcrito acima do livro de Apocalipse 21.1 – 5, e argumenta:

Não há nada mais prático para aqueles que estão sofrendo do que ter esperança. O desgaste e a perda da esperança é o que torna o sofrimento insuportável. E aqui, no final da Bíblia, está a esperança definitiva – um mundo em que todo o sofrimento não existe mais – “toda lágrima enxugada de nossos olhos”. Essa é uma transformação de vida, uma viva esperança.

Para quem João estava escrevendo? Ele estava escrevendo para pessoas que estavam sofrendo coisas terríveis. Pessoas que estavam enfrentando a morte e o luto, o choro e a dor.

O livro do Apocalipse foi escrito aproximadamente no final do Sec. I d.C., quando o Imperador Domiciano estava promovendo uma perseguição em larga escala contra os cristãos. Alguns tiveram seus lares tomados e pilhados, enquanto outros foram levados às arenas para serem devorados por feras selvagens, enquanto as multidões assistiam eufóricas. Outros foram empalados em estacas e, ainda vivos, cobertos de piche e incendiados. Isto era o que os leitores do livro de João estavam enfrentando.

E o que João lhes deu para enfrentarem tudo isso? Deu-lhes esperança definitiva: os novos céus e nova terra que estavam por vir. Sabemos que os primeiros cristãos encararam seus sofrimentos com grande equilíbrio e paz, cantando louvores enquanto as feras os devoravam; mesmo assim, perdoaram as pessoas que os estavam matando. Então, quanto mais cristãos eram mortos, tanto mais o Cristianismo crescia. Por quê? Porque, quando aquelas pessoas testemunhavam a forma tranquila com que os cristãos enfrentavam a morte, diziam: “Essas pessoas têm algo”. Bem, você sabe o que eles tinham? Eles tinham esperança! Uma viva esperança.

Os seres humanos são movidos (moldados) por esperança. A forma como você vive agora é totalmente controlada (influenciada) por aquilo em que você acredita em relação ao futuro. Há alguns anos atrás li sobre dois homens que foram presos e lançados em uma masmorra. Pouco antes de irem para a prisão, um deles ficou sabendo que sua esposa e seu filho estavam mortos; o outro sabia que sua esposa e filho estavam vivos e esperando por ele. Nos primeiros dois anos de prisão o primeiro homem simplesmente se autoconsumiu, se fechou e morreu. Mas o outro resistiu e permaneceu forte e, dez anos depois, foi liberto.

Note que esses dois homens experimentaram as mesmas circunstâncias, mas reagiram de formas totalmente diferentes, porque, apesar de estarem vivenciando o mesmo presente, suas perspectivas de futuro eram diferentes. Foi a expectativa de futuro que determinou como eles lidaram com o presente.

Portanto, João estava certo em ajudar os cristãos que estavam sofrendo perseguição, dando-lhes esperança.

Você crê que quando morrer, simplesmente vai apodrecer? Que a vida neste mundo é toda a felicidade que se pode ter? Você acredita que algum dia o Sol morrerá e toda a civilização humana desaparecerá e ninguém se lembrará de nada que alguém tenha feito? Esta é uma forma de imaginar o futuro. Mas existe outra: Você acredita em “novos céus e nova terra”? Você acredita no Dia do Julgamento, quando toda má obra e injustiça serão devidamente punidas? Você acredita que está a caminho de um futuro de gozo sem fim?

Esses são dois futuros totalmente diferentes e, dependendo em qual você acredita, isto determinará a forma como você vai lidar com suas masmorras e seus sofrimento: Ou com desespero ou com esperança.

Por fim, vale lembra o que o Apóstolo Paulo disse: “Cristo em vós, a esperança da glória.” (Colossenses 1.27 grifo nosso).







[1] Andando com Deus em meio a dor e ao sofrimento”

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