Inevitavelmente, nesta vida
atravessamos momentos difíceis, às vezes tão difíceis que nos angustiamos da
própria existência. O próprio apóstolo Paulo teve momentos assim e
confessou: "Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da
tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a
ponto de desesperarmos até da própria vida." (2 Cor. 1.8).
No entanto, o que vai fazer a
grande diferença no momento de lidarmos com tudo isso é a nossa perspectiva de
futuro. Por essa razão, Paulo segue dizendo: "Contudo, já em nós mesmos,
tivemos a sentença de morte, para que
não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos;" (2 Cor.
1.9 grifo nosso).
Paulo conseguia lidar com seus
sofrimentos apoiando-se na esperança viva das promessas da Palavra de Deus. O
Apóstolo João escreve à Igreja sofredora e perseguida nestes
termos:
E vi um
novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra
passaram, e o mar já não existe.
E eu,
João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada
como uma esposa ataviada para o seu marido.
E ouvi
uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens,
pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com
eles, e será o seu Deus.
E Deus
limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem
clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
E o que
estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E
disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. ( Apocalipse 21:1-5)
O texto a seguir é uma tradução
que fiz, com pequenas adaptações, das páginas 313 a 315 do livro Walking with God through pain &
suffering[1]
de autoria de Timothy Keller. Esse texto fala sobre o papel da esperança
para superarmos os sofrimentos desta vida.
O autor parte do trecho
transcrito acima do livro de Apocalipse 21.1 – 5, e argumenta:
Não há nada mais prático para
aqueles que estão sofrendo do que ter esperança. O desgaste e a perda da
esperança é o que torna o sofrimento insuportável. E aqui, no final da Bíblia,
está a esperança definitiva – um mundo em que todo o sofrimento não existe mais
– “toda lágrima enxugada de nossos olhos”. Essa é uma transformação de vida,
uma viva esperança.
Para quem João estava
escrevendo? Ele estava escrevendo para pessoas que estavam sofrendo coisas
terríveis. Pessoas que estavam enfrentando a morte e o luto, o choro e a dor.
O livro do Apocalipse foi
escrito aproximadamente no final do Sec. I d.C., quando o Imperador Domiciano
estava promovendo uma perseguição em larga escala contra os cristãos. Alguns
tiveram seus lares tomados e pilhados, enquanto outros foram levados às arenas
para serem devorados por feras selvagens, enquanto as multidões assistiam
eufóricas. Outros foram empalados em estacas e, ainda vivos, cobertos de piche
e incendiados. Isto era o que os leitores do livro de João estavam enfrentando.
E o que João lhes deu para
enfrentarem tudo isso? Deu-lhes esperança definitiva: os novos céus e nova
terra que estavam por vir. Sabemos que os primeiros cristãos encararam seus sofrimentos
com grande equilíbrio e paz, cantando louvores enquanto as feras os devoravam; mesmo assim, perdoaram as pessoas que os estavam matando. Então, quanto mais cristãos eram
mortos, tanto mais o Cristianismo crescia. Por quê? Porque, quando aquelas
pessoas testemunhavam a forma tranquila com que os cristãos enfrentavam a
morte, diziam: “Essas pessoas têm algo”. Bem, você sabe o que eles tinham? Eles
tinham esperança! Uma viva
esperança.
Os seres humanos são movidos
(moldados) por esperança. A forma como você vive agora é totalmente controlada
(influenciada) por aquilo em que você acredita em relação ao futuro. Há alguns
anos atrás li sobre dois homens que foram presos e lançados em uma masmorra.
Pouco antes de irem para a prisão, um deles ficou sabendo que sua esposa e seu
filho estavam mortos; o outro sabia que sua esposa e filho estavam vivos e
esperando por ele. Nos primeiros dois anos de prisão o primeiro homem
simplesmente se autoconsumiu, se fechou e morreu. Mas o outro resistiu e permaneceu
forte e, dez anos depois, foi liberto.
Note que esses dois homens
experimentaram as mesmas circunstâncias, mas reagiram de formas totalmente
diferentes, porque, apesar de estarem vivenciando o mesmo presente, suas
perspectivas de futuro eram diferentes. Foi a expectativa de futuro que
determinou como eles lidaram com o presente.
Portanto, João estava certo em
ajudar os cristãos que estavam sofrendo perseguição, dando-lhes esperança.
Você crê que quando morrer,
simplesmente vai apodrecer? Que a vida neste mundo é toda a felicidade que se pode ter?
Você acredita que algum dia o Sol morrerá e toda a civilização humana
desaparecerá e ninguém se lembrará de nada que alguém tenha feito? Esta é uma
forma de imaginar o futuro. Mas existe outra: Você acredita em “novos céus e
nova terra”? Você acredita no Dia do Julgamento, quando toda má obra e injustiça serão devidamente punidas? Você acredita que está a caminho de um futuro de gozo sem fim?
Esses são dois futuros totalmente
diferentes e, dependendo em qual você acredita, isto determinará a forma como você vai lidar com suas masmorras e seus sofrimento: Ou com desespero ou com
esperança.
Por fim, vale lembra o que o
Apóstolo Paulo disse: “Cristo em vós, a
esperança da glória.” (Colossenses 1.27 grifo nosso).
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